Ela esperava ainda de olhos abertos enquanto deitada na cama, ao lado de seu mais novo companheiro, que depois de passar pela passarela do divino espirito santo, todos o chamam de esposo. Eles dois. Tão jovens e tão lindo casal, aguardavam a pequena ou pequeno que havia sido embrulhado por deus no pacote de presente mais divino de toda existencia, o ventre materno. Não haveria laço vermelho ou até mesmo uma caixa de madeira trabalhada em tinta oleo que brilharia proximo a cama com algumas jóias, mas sim AMOR, amor que viria de dentro, junto com toda esperança que hoje acolhe o coração dessa linda mãe, que apenas imaginava como seria os lindos olhos do pequeno ou pequena que não pôde (AINDA) dizer: - Mamãe ou, - Papai.
Há muita nostalgia nisso tudo, há uma mistura de sofrimento e amor. Sofre-se a ausência do que se foi, e se consola oferecendo a dor causada pela sua ausência. Continuar sofrendo é uma tentativa de manter vivo esse filho, esse filho que foi levado por Deus já desde tão pequeno, e mesmo não tendo a oportunidade de lhe apertar as mãos da mãe dele, deixa-se a esperança no olhar desses progenitores que um dia sentirá enfim o aperto sagrado das mãos indefesas e o choro cortando qualquer sinal de silêncio, e enfim acabando com a espera, em breve, numa sala de parto.
A perda de um filho produz uma abrupta ruptura na realidade. Geralmente, ao cabo de muita luta interior, chega-se a admitir o fato, embora, durante o processo, a existência do filho se mantenha mentalmente presente para os pais, e ele está lá, na esperança de se manter vivo em cada sonho, em cada pensamento, em cada gota de amor que ali foi depositado. Parece-me que, ainda que eu escrevesse um tratado completo sobre a experiência de se perder um filho, não seria suficiente para chegar a compreender o que vivem esses pais.
Não há lugar para a palavra, ela não circula. Você está posto, alocado em proporções distintas em cada um de nós, fazendo parte, impedindo que a falta se coloque, que possa circular, dando a ver lugar para a fala e para a palavra. Desejos amortecidos, ninguém se autoriza desejar. Dói, é horrivel e talvez não tenha solução, reinvestir amor e esperança na vida é um caminho a ser alcançado, por mais impossível que possa parecer. É eterno e inesquecivel. ♥
dedico a minha AMIGA e AFILHADA Jéssica Matos.
Há muita nostalgia nisso tudo, há uma mistura de sofrimento e amor. Sofre-se a ausência do que se foi, e se consola oferecendo a dor causada pela sua ausência. Continuar sofrendo é uma tentativa de manter vivo esse filho, esse filho que foi levado por Deus já desde tão pequeno, e mesmo não tendo a oportunidade de lhe apertar as mãos da mãe dele, deixa-se a esperança no olhar desses progenitores que um dia sentirá enfim o aperto sagrado das mãos indefesas e o choro cortando qualquer sinal de silêncio, e enfim acabando com a espera, em breve, numa sala de parto.
A perda de um filho produz uma abrupta ruptura na realidade. Geralmente, ao cabo de muita luta interior, chega-se a admitir o fato, embora, durante o processo, a existência do filho se mantenha mentalmente presente para os pais, e ele está lá, na esperança de se manter vivo em cada sonho, em cada pensamento, em cada gota de amor que ali foi depositado. Parece-me que, ainda que eu escrevesse um tratado completo sobre a experiência de se perder um filho, não seria suficiente para chegar a compreender o que vivem esses pais.
Não há lugar para a palavra, ela não circula. Você está posto, alocado em proporções distintas em cada um de nós, fazendo parte, impedindo que a falta se coloque, que possa circular, dando a ver lugar para a fala e para a palavra. Desejos amortecidos, ninguém se autoriza desejar. Dói, é horrivel e talvez não tenha solução, reinvestir amor e esperança na vida é um caminho a ser alcançado, por mais impossível que possa parecer. É eterno e inesquecivel. ♥
dedico a minha AMIGA e AFILHADA Jéssica Matos.
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